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1 de outubro de 2017

Auto da Liberdade 2017 mostra a bravura do povo mossoroense



Inspirados no texto do poeta Crispiniano Neto, os quatro atos que formam o Auto da Liberdade foram encenados na noite desta sexta-feira, 29, em espetáculo único, no Circo Grock. O texto foi adaptado pelos diretores Joriana Pontes, Nonato Santos, Jeyzon Leonardo e Júnior Félix e retratou as lutas e conquistas do povo de Mossoró. 
No primeiro ato, lideradas por Ana Floriano, 300 mulheres de Mossoró, no ano de 1875, impediram que seus filhos e maridos participassem da Guerra do Paraguai, através de protestos pelas ruas da cidade. O espetáculo, encenado pela Companhia Bagana de Teatro mostrou mulheres que foram às ruas com colheres e panelas na mão, exigindo o direito de manterem suas famílias, visto que Mossoró nada tinha a ver com o contexto da Guerra. 

No segundo ato, a Mossoró de 1883 e a luta dos negros pela liberdade, retratada pela Companha Escarcéu de Teatro. “Não éramos gente, nem beleza para ser vista”. Em um movimento liderado pela Maçonaria, a Assembleia dos Bravos foi realizada, atendendo a um clamor da cidade. Assim, em 30 de setembro daquele ano, a Sociedade Libertadora Mossoróense assinou o documento que libertou os escravos em Mossoró cinco anos antes da Lei Áurea. 

Mas nem tudo eram flores, veio então a batalha contra o preconceito, quando se destacou a figura de mulheres importantes e corajosas e de um povo que ajudou a construir o Brasil, de um povo que é raça e força. 
O terceiro ato, das Companhias A Máscara e Pão Doce de Teatro mostrou que a lona é um chão de vida, que a vida é um chão de glórias e que o circo com toda a sua alegria estava armado em Mossoró. Cuspindo fogo, o temido Lampião chegou à cidade para tomar o circo que pertencia ao bravo Rodolfo. “Arrocha prefeito, que o show tem que continuar!”. 

A Lona Estrelada preparou seu show com arte e força, e o Lampião correu com medo de uma bexiga que estourou, fugiu cuspindo fogo e o circo em Mossoró continuou. 
O quarto e último ato, contado pela Companhia e Bela Trupe trouxe um texto irreverente, porém reflexivo. “Somos o que alimentamos em nosso pensamento, vivemos de acordo com o circo que montamos”. E assim, pedindo licença para contar a história de uma mulher forte e guerreira, que lutou por uma causa e por esta foi a primeira. Celina Guimarães Viana, que com sua bravura abriu espaço para sua existência. 
Com pavio aceso, mulheres marcharam pelos seus direitos de votar e ser votada. Celina exigiu seu nome na lista, tirou seu título e a partir de então uma algema foi quebrada. Mossoró virou farol das atenções nacionais. 

O espetáculo foi assistido por uma plateia lotada, entre elas autoridades municipais, estaduais e federais. “Aqui aplaudimos não só a bravura e força da história do povo de Mossoró, mas também a todos esses artistas, à nossa Cultura, que tão brilhantemente mostrou esta semana que até aqui trilhamos um caminho de lutas, mas com a certeza da vitória” disse a prefeita Rosalba Ciarlini.