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8 de maio de 2017

Violência sexual prejudica desenvolvimento e evolução das crianças, alerta psicóloga

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A psicóloga Anna Lívia Soares, do Hapvida, alerta que violência sexual infantil é prejudicial para o desenvolvimento e evolução emocional, física, moral e social da criança. Além disso, é facilitador para o aparecimento de psicopatologias graves como o desenvolvimento de transtornos de personalidade, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, comportamentos agressivos, entre outros.

Confira na entrevista abaixo:

O quanto à violência sexual infantil é prejudicial para o desenvolvimento das crianças?

Prejudica seu desenvolvimento e evolução emocional, física, moral e social. É facilitador para o aparecimento de psicopatologias graves como o desenvolvimento de transtornos de personalidade, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, comportamentos agressivos, dificuldades na esfera sexual, doenças psicossomáticas, transtorno de pânico, entre outros prejuízos, além de abalar a autoestima e apresentar comportamento agressivo. Os efeitos da violência na infância podem se manifestar variando de acordo com algumas condições ou predeterminações de cada indivíduo, dentre eles: a idade da criança, quando houve o início da violência, a duração e quantidade de vezes em que ocorreu, o grau de violência utilizado no momento da situação, a diferença de idade entre a pessoa que cometeu e a que sofreu a violência, se existe algum tipo de vínculo entre o abusador e a vítima, com  acompanhamento de ameaças. Pode prejudicar o modo de se relacionar e confiar em outras pessoas.

De que forma as crianças reagem a esse tipo de violência?

Passam a apresentar tristeza constante, prostração aparentemente desmotivada, sonolência diurna, medo exagerado de adultos, habitualmente aquele do sexo do abusador, história de fugas, comportamento sexual adiantado para idade, masturbação freqüente e descontrolada, tiques ou manias, enurese ou encoprese e baixo amor-próprio. Apresentam menor comportamento pró-social: compartilham menos, ajudam menos e se associam menos a outras crianças, retraimento e relacionamentos superficiais.

Como os pais devem se comportar nesses casos?

Ter um olhar mais crítico e aprofundado sobre as convivências, ficar atento às mudanças comportamentais, dar apoio à criança, pois sentem-se culpadas e comunicar às autoridades  que atuam na defesa dos direitos da criança, para que investigue e tomem as medidas legais cabíveis.

Qual o tratamento indicado para essas crianças?

Encaminhamento psicoterápico de acordo com a faixa etária da criança, trabalhando com a ludoterapia. Devem ser trabalhados aspectos relacionados à autoimagem, autoestima, bem-estar emocional, de acordo com o grau de severidade e de comprometimento da vítima da violência.  É importante também o acompanhamento psicológico familiar, com o objetivo de trabalhar a autoestima dos membros da família e fortalecê-la para resolver seus conflitos e estabelecer a comunicação entre eles, evitando a instalação do sentimento de culpa.

É possível mensurar em quanto tempo as crianças superam esse tipo de violência?

Não, depende de cada tipo, forma, como o violentador ou violentadora se expressa, depende também da estrutura de personalidade da criança, mas sabemos os prejuízos que são levados para o resto da vida. A violência sexual deve ser analisada em relação à sua frequência, intensidade, severidade e duração. Se a criança é submetida, desde cedo, a situações de abuso, maior será o comprometimento em relação ao seu desenvolvimento.

Quando a violência é praticada dentro da própria família é mais doloroso para a criança?

Sim, porque a percepção que a criança tem do ambiente familiar é de crescimento, apoio, cuidado, amor, afeto, segurança e não é isso que ela vê. E as crianças não tendem a denunciar porque quem infringe o sofrimento e danos a elas é quem deveria dar proteção. Ou também pelos tipos de ameaças sofridos.